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Como calcular LTV

A fórmula do LTV, a diferença entre calcular sobre receita e sobre margem, os erros que inflam o número e o que fazer com ele depois de calculado.

LTV (lifetime value) é a receita que um cliente típico gera ao longo da relação com o negócio. A fórmula base: ticket médio × compras por período × tempo médio de permanência. Para decidir quanto pagar por aquisição, a versão honesta usa margem em vez de receita — LTV de receita compara mal com CAC, que é custo. O dado vem do histórico real de clientes, não de projeção otimista.

Este artigo faz parte do guia Growth Marketing: como transformar aquisição em crescimento de receita.

A fórmula base — e a versão que decide

A fórmula clássica tem três fatores: LTV = ticket médio × frequência de compra × tempo de permanência. Num negócio de mensalidade, simplifica para mensalidade média × meses de permanência; num negócio de compra avulsa, é o valor médio por compra × compras por ano × anos em que o cliente segue comprando. Cada fator sai do histórico da SUA base — é uma média observada, não uma promessa.

Para a decisão que mais importa — quanto o negócio pode pagar para adquirir um cliente — existe um ajuste que muda tudo: calcular sobre margem, não sobre receita. Um cliente que gera 10.000 de receita com 30% de margem contribui 3.000 para pagar aquisição e operação. Comparar LTV de receita com CAC (que é custo) infla a leitura em três vezes nesse exemplo. LTV de receita serve para acompanhar tendência; LTV de margem serve para decidir orçamento.

Os erros que inflam o número

  • Tempo de permanência chutado. "Nossos clientes ficam anos" vira 60 meses na planilha sem que ninguém tenha medido. O honesto: pegar os clientes que JÁ saíram e calcular quanto tempo ficaram — ou, com base nova demais para isso, usar uma janela curta e conservadora até o dado existir.
  • Média única para clientes diferentes. O cliente do plano básico e o do plano completo no mesmo LTV médio produzem um número que não descreve ninguém. Com dois ou três perfis distintos, o LTV é por perfil — e a aquisição pode pagar mais caro pelo perfil que vale mais.
  • Receita bruta sem cancelamento e inadimplência. O LTV calculado sobre o contratado, e não sobre o efetivamente pago, superestima o valor exatamente nos negócios em que a retenção é o problema.
  • Projetar melhoria futura. "Com o produto novo a retenção vai dobrar" não entra na conta. O LTV descreve o que a base FAZ; a melhoria entra quando aparecer no histórico.

A primeira versão útil, com pouco dado

  1. Liste os clientes encerrados dos últimos anos e calcule quanto cada um pagou no total e por quanto tempo ficou — a fonte mais honesta de ticket e permanência.
  2. Tire a mediana, não só a média — um cliente excepcional puxa a média para cima e distorce a decisão; a mediana conta a história do cliente típico.
  3. Aplique a margem do negócio sobre esse valor para chegar ao LTV que se compara com custo.
  4. Registre a data e a base do cálculo — LTV é retrato, não constante; recalculado a cada semestre, ele mostra se a retenção está melhorando ou escondendo um vazamento.

O que fazer com o LTV calculado

Sozinho, o LTV é curiosidade. O valor aparece nos pares: contra o CAC, ele define o teto do que a aquisição pode custar — a leitura completa está em LTV/CAC: como interpretar essa relação. Por perfil de cliente, ele redireciona a mídia para o público que permanece. E na esteira das métricas comerciais, ele fecha o circuito: aquisição barata que traz cliente que sai rápido é cara — só o LTV revela isso.